Quando se sentir solitário, naquela madrugada escura e fria, vá até a janela, sente-se confortavelmente, fume um cigarro e fique observando as pessoas que, como você, andam sozinhas pelas ruas nas horas mais escuras do dia. E então imagine, invente, crie uma história para cada uma delas. O que as leva a perambular por ruas e esquinas tão tarde?
Pense que o homem andando apressadamente e tirando o casaco acabou de sair da casa da pessoa amada, ainda afogueado, e agora quer voltar rapidamente para sua própria cama, guardando nos lábios e no corpo alguma lembrança dos momentos passados com quem ama...
Ou então aquela mulher, que acaba de sair de uma festa, sentindo-se abandonada por não ter companhia para ir embora, ou que prefere ir embora sozinha...
Pense naquele trabalhador que daria tudo para poder se deitar todas as noites junto com sua esposa, mas ao invés disso, ao vê-la preparar a cama, veste um uniforme e passa madrugadas inteiras acordado, sonhando com sonhos.
Pense nas pessoas tristes, nas pessoas alegres, pense em histórias boas, em histórias ruins. Crie amigos, inimigos, enredos, tramas. Crie.
Se sua solidão realmente lhe incomodar, acenda outro cigarro, feche os olhos, e lembre do rapaz apressado que tirava o casaco. Quem sabe ele não acabou de sair da sua casa? E então, enquanto ele vai embora lembrando, você também pode lembrar, amar, sentir.
Seja a Julieta de um Romeu inexistente. Espere na janela, observando. Uma hora a pessoa perfeita para sua história perfeita pode aparecer e passar, e você talvez estivesse ocupado demais reclamando de sua infelicidade debaixo dos lençóis, amaldiçoando todos que tem aquilo que você mais quer mas que parece incapaz de ter...
Ou então imagine que lá do outro lado da cidade, no mesmo momento, outra pessoa está sentada na janela, imaginando, esperando pela história imaginada, pela alma gêmea também sentada em uma janela. Pense que nem tudo está perdido, e que talvez, um dia, vocês se encontrem casualmente na fila do banco, na lanchonete, dentro do ônibus.
Nada está perdido para quem é capaz de, a partir de caminhantes solitários, criar um mundo só seu, com uma felicidade só sua.
Desligue o celular, saia da frente do computador. Sente-se na janela, e observe. Seu presente e seu futuro estão ali. Basta imaginar.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Ah, seu eu pudesse...
sair voando. Seria ótimo. Vagar sem rumo nenhum, sem preocupação nem responsabilidade alguma. Seria ótimo. Se eu pudesse não sentir, não precisar chorar, sofrer, me machucar. Seria ótimo. Até compensaria eu não precisar amar, nem sorrir. Seria ótimo. Se eu pudesse voltar no tempo e consertar todos os meus erros, mudar todas as minhas atitudes, me melhorar cada vez mais. Seria ótimo. Se eu conseguisse cumprir metas, promessas e desejos. Seria ótimo. Teria conhecido tantos, amado tantos, beijado outros tantos... seria ótimo. Mas meus medos, ah, meus medos, sempre me deixam com os pés presos ao chão, sem capacidade de me imaginar livre e de me fazer livre. Medo de me machucar, medo de decepcionar a mim e aos outros, medo de não conseguir e não ter como voltar... isso, meus caros, isso não é ótimo. Ter que acordar todos os dias querendo não precisar, ter que ouvir e ver o que não quero todos os dias, isso não é ótimo. Ter de conviver com quem não quero, suportar quem eu não precisaria, isso não é ótimo. Queria ser perfeito. Seria ótimo ser ótimo. Mas como posso conseguir tudo o que quero quando quero tanto? Seria ótimo não querer, seria ótimo conseguir, seria ótimo...
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